Tuesday, January 16, 2007

Anjos





Um dia destes tenho que ir às compras, estou a precisar de umas roupitas novas e adiar este sacrifício significa arriscar-me a ficar sem os fundilhos de algumas das minhas calças a qualquer momento e embora me dê algum gozo imaginar o embaraço de quem me visse o dito, mesmo que decentemente tapado, tenho dúvidas de que eu próprio apreciasse a minha humilhação.

Mudar de fatiota e vestir uns trapos novos, dizia um senhor meu conhecido, pode ser melhor para a saúde do que muitos remédios, mudar o visual é excelente para a nossa disposição, fazer de contas que somos outros, novos, diferentes e frescos aos olhos de quem nos vê. O stock é o mesmo a montra é que aparece exposta de maneira diferente, o efeito dura pouco tempo mas enquanto dura sabe bem.

A ONU, esse polvo que as elites politicamente correctas querem que eu engula, à maneira do óleo de fígado de bacalhau, como o único, o verdadeiro, o maravilhoso garante do direito internacional, também trocou de roupa, um produto da Coreia do sul em substituição do já mais que gasto produto ganês, do estilista Kofi Annan.

Toda a gente sabe como os americanos, perdão, os americanos não, o que toda a gente sabe é como o senhor Bush trata os habitantes do mundo, entre eles os prisioneiros, estejam eles em prisões iraquianas, numa ilha das Caraíbas ou em trânsito, num qualquer avião da CIA. Toda a gente sabe, porque há jornais, rádios e televisões que não se cansam de o repetir e de o lembrar. Às vezes há provas – fotografias, filmes, testemunhos – outras vezes, como não as há, as acusações ficam como que a pairar no ar embora a sua sombra já funcione como uma nódoa que não sai.

Em todos os casos sustentados por provas já houve, ou estão em curso, julgamentos, alguns com sentença já proferida e com os culpados a cumprir pena; quanto aos outros aguardam-se as provas para se poder ir para além do diz-que-diz e outros episódios há em que se provou ser mentira. Os americanos são maus, perdão, o senhor Bush é muito mau, mas a justiça naquelas terras funciona e uma sociedade civil irrequieta lá vai picando os vários poderes impedindo-os de adormecerem na cepa torta.

Os garantes do direito internacional, a minha querida, adorada e estimada ONU, têm tropas de manutenção de paz espalhadas por uma porção de países – Congo, Libéria, Haiti, Burundi e Sudão por exemplo – e, segundo provas, os soldados que as integram violam e roubam à fartazana os pobres dos nativos, especialmente as crianças.
De quantos julgamentos e acusações já lhe deram noticia os órgãos de comunicação social que costuma ler e ouvir? Eu também!

O actual Conselho dos direitos humanos da ONU, eleito no ano passado e com mandato para três anos é constituído por quarenta e sete países entre os quais se encontram países tão democráticos como Cuba, Argélia, Arábia Saudita e China.
Durante o ano de 2006, os dois países com o maior número de condenações feitas por este conselho foram Israel (38) e os Estados Unidos (29). Só depois aparecem o Sudão (26), a China (23) e o Irão (21). Cuba está em décimo sétimo lugar com 9.

Quando mandar rezar uma missa vou convidar estes meninos de coro. São tão afinadinhos a embalar-nos que até dá gosto.

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