Sunday, December 31, 2006

À vossa!




Então que tal, o Natal foi bem passado? Sim? Ainda bem!
Muitas prendas? Não? Não mesmo? Então, porquê? A malta é forreta ou está tesa?
Ah, estão mais para o teso, hem...? Deixem lá, às vezes até que dá jeito estar teso...

Neste momento, hora a que escrevo, véspera da noite de consoada e do bacalhau cozido com todos, iguaria que antes detestava e agora mamo que nem um abade em dia de festa, apesar do frio que está lá fora, eu estou bem quentinho e não é do calor da lareira, não senhor, essa está às escuras e sem chama, deu-me aquela preguiça malvada para encomendar a lenha a tempo e agora tenho que a racionar, estou guardá-la para os dias em que a neve cair cá em casa. Estou quase tão farto de levar na corneta por causa deste meu pequeno lapso como o presidente do banco Espírito Santo por causa do apelido da Carolina; agora que ele já conseguiu esclarecer que, embora tenham o mesmo apelido, a dita senhora é Sal por parte do pai e Gado por parte da mãe pode ser que parem de o chatear.

O calor da noite, esse malandro, deve-se a quase uma garrafa de tinto Adro da Sé, reserva de 2001, que chocalha cá no bucho. Oferta de um amigo que me quer ver alegre, o raio do tintol desliza pela goela abaixo com uma suavidade que até arrepia. A minha Maria farta-se de barafustar porque eu bebo muito mais depressa do que ela e depois ela sente-se prejudicada. A culpa é minha, podia muito bem ter arrumado os trapinhos com alguém que só bebesse água, fui nabo e distraí-me, agora bem torço o gargalo mas o mal está feito. Cá em casa, beber a meias quer dizer meia caixa para cada um. Esquecer-me de comprar a lenha, é como o outro, vá que não vá, agora ficar sem pinguita em casa, chiça, isso sim, é que era assinar a minha sentença de morte.

Estou tão quentinho que, dada a quadra festiva, até me arriscava a acabar a crónica em verso mas, ou é o danado do teclado do computador que não pára quieto ou então são os meus dedos que não acertam com as teclas certas para fazer as rimas. A luz do candeeiro também não ajuda. É pena, porque sinto que hoje me corre nas veias parte do mesmo combustível criativo que fez de Bocage um grande poeta.

Assim sendo, vou continuar com a minha prosa, fraquinha, tadita, culpa desse amigo que fez o favor de me tentar com aquela pomada. Sim, não fosse ele e eu até era gajo para conseguir escrever alguma coisa de jeito em vez de estar para aqui, aos esses, a fazer estas figuras tristes. Se a entidade reguladora de comunicação social condenar o director do jornal por permitir a publicação de textos escritos sob a influência de vapores etílicos, vou-me a ele, a esse amigo, como um dragão a um leão.

Pensando melhor, acho que vou acabar por aqui, os meu olhos já estão qualquer coisa alhudos, como diz o Telmo (um palavrão que começa por ´p´ e que a minha esmerada educação não permite escrever), a noite já vai longa, amanhã tenho que me levantar cedo, por volta do meio-dia, tomar uns sais de frutos e preparar a vasilha para mais uma noite de farra. Espero acordar deitado na minha cama, o pijama vestido, sem dores de cabeça e com o fígado sossegado.

De gatas, vou para dentro, desejando a todos uma Feliz quadra Natalícia e umas boas entradas no próximo ano. Até já.

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